segunda-feira, 27 de abril de 2009

Os Nove Policiais.

Leiam esse artigo, que serve para pensarmos um pouco sobre livre arbítrio, e a atuação de Deus.

A História dos nove policiais.

Autor: Mark I. Vuletic

Quando a Sr.ª K. foi lentamente violada e assassinada por um criminoso comum durante uma
hora e cinqüenta e cinco minutos, à vista de nove polícias completamente armados que estavam fora de serviço e que ignoraram os gritos aterrorizados dela suplicando por ajuda e que se limitaram a olhar até que o ato foi levado ao seu fim horrível, dei por mim enfrentando uma crise pessoal.

Os policiais tinham sido meus amigos pessoais muito próximos, mas agora vi a minha confiança neles completamente abalada. Felizmente, pude falar com eles depois e perguntei-lhes como puderam simplesmente ficar ali sem fazer nada, quando podiam ter facilmente salvo a Sr.ª K.
“Pensei em intervir”, disse o primeiro policial, “mas ocorreu-me que obviamente era melhor para o assassino poder exercer o seu livre-arbítrio do que tê-lo restringido. Lamento profundamente as escolhas que ele fez, mas esse é o preço a pagar por se ter um mundo com agentes livres. Você preferiria que todas as pessoas do mundo fossem robôs?
As ações do atacante com certeza não estavam sob o meu controle, portanto não posso ser responsabilizado pelas ações dele”.

“Bem”, disse o segundo policial, “a minha motivação era um pouco diferente. Estava prestes a
puxar a minha arma contra o assassino quando pensei: ‘Mas espere, não seria esta uma oportunidade perfeita para algum transeunte desarmado exercer heroísmo altruísta, caso passasse por ali? Se interviesse todas as vezes, como estava prestes a fazer, então ninguém poderia jamais exercer tal virtude. De fato, provavelmente ficariam todos muito mal habituados e centrados em si mesmos se impedisse todos os atos de violação e assassínio’. Foi por isso que não fiz nada. É pena que ninguém tenha aparecido para intervir heroicamente, mas esse é o preço a pagar por se ter um universo onde as pessoas podem mostrar virtude e maturidade. Você preferiria que o mundo fosse todo amor, paz e rosas?”

“Nem sequer considerei a hipótese de intervir”, disse o terceiro policial. “Provavelmente tê-lo-ia
feito se não tivesse tanta experiência da vida como um todo, pois a violação e o assassínio da Sr.ª K. parecem bastante horríveis quando considerados isoladamente. Mas quando você os coloca no contexto com o resto da vida, de fato acrescentam algo à beleza geral da imagem maior. Os gritos da Sr.ª K. eram como as notas discordantes que tornam uma excelente peça musical ainda melhor do que se todas as suas notas fossem perfeitas.
De fato, quase não consegui evitar acenar com as minhas mãos à volta, imaginando que eu próprio estava a dirigir as deliciosas nuances da orquestra”.

“Quando cheguei ao local, de fato saquei o revólver e apontei-o mesmo à cabeça do violador”,
confessou o quarto policial, com um olhar muito culpado na face. “Estou profundamente envergonhado de ter feito isso. Sabes quão perto cheguei de destruir todo o bem do mundo? Quero dizer, todos sabemos que não pode haver qualquer bem sem mal. Felizmente, lembrei-me disso mesmo a tempo, e invadiu-me uma onda de náusea tão forte quando me apercebi do que quase tinha feito, que fiquei prostrado no chão. Safa, foi por pouco”.

“Olha, é realmente inútil tentar explicar-te os detalhes”, disse o quinto policial, a quem tínhamos
posto a alcunha ‘Crânio’ porque tinha um conhecimento enciclopédico de literalmente tudo e um QI que rebentava com a escala. “Há uma excelente razão pela qual não intervim, mas é demasiado complicada para tu perceberes, por isso nem sequer me vou dar ao trabalho de tentar explicar. No entanto, para que não haja qualquer mal-entendido, deixa-me sublinhar que ninguém podia ter se preocupado com a Sr.ª K. mais que eu, e que sou, de fato, muito boa pessoa. Isto resolve o assunto”.

“Teria defendido a Sr.ª K.”, disse o sexto policial, “mas isso simplesmente não era exeqüível. Você está a ver, quero que toda gente acredite livremente que sou boa pessoa. Mas se interviesse constantemente quando ocorrem violações e assassínios, isso forneceria a todos a evidência de que precisam sobre a minha bondade, e desse modo forçá-los-ia a acreditar que sou bom. Consegue imaginar uma violação do livre-arbítrio mais diabólica que essa? Obviamente, foi melhor afastar-me e deixar a Sr.ª K. ser violada e assassinada. Agora todas as pessoas podem escolher livremente acreditar na minha bondade”.

“Vou contar-lhe um segredo”, disse o sétimo policial. “Momentos depois de a Sr.ª K. ter falecido,fiz com que ela ressuscitasse e fosse transportada para uma ilha tropical onde está agora gozando
bênçãos extraordinárias, e o sofrimento dela não passa de uma memória distante. Estou certo que você concordará que isso é uma compensação mais do que adequada para o sofrimento dela, portanto o fato de ter simplesmente ficado ali a olhar em vez de intervir não tem nada que ver com a minha bondade”.

O oitavo policial surpreendeu-nos todos quando revelou um segredo surpreendente sobre a Sr.ª K. “Criei-a através de engenharia genética a partir do nada. Eu a fiz, portanto é minha
propriedade, e posso fazer o que quiser com ela. Eu próprio podia violá-la e assassiná-la se estivesse inclinado a fazê-lo, e isso não teria sido pior do que você rasgar uma folha de papel que lhe pertence. Portanto, não se põe a questão de eu ser uma má pessoa por não ajudá-la”.

E, por fim, falou o nono policial. “Contratei o oitavo policial para criar a Sr.ª K. para mim, pois
queria alguém que me amasse e adorasse. Mas quando abordei a Sr.ª K. sobre o assunto, ela afastou-se de mim, como se conseguisse encontrar significado e felicidade com outra pessoa qualquer! Por isso decidi que a coisa amorosa a se fazer seria vergar o espírito dela fazendo com que fosse violada e assassinada por um criminoso comum, para que ela, no seu extraordinário sofrimento, se virasse para mim, cumprindo assim o propósito para o qual ela tinha sido criada. Bem, estou feliz por dizer: missão cumprida! Alguns segundos antes de morrer, ela estava tão enlouquecida com o terror, a dor e o desespero que, de fato, convenceu-se de que me amava, pois sabia que só isso poderia pôr fim ao sofrimento.

Nunca esquecerei o amor nos seus olhos quando me olhou uma última vez, suplicando por
misericórdia, mesmo antes de o criminoso se inclinar e lhe cortar a garganta. Foi tão belo que ainda me traz lágrimas aos olhos. Agora só tenho de ir àquela ilha para que ela possa reclamar o prêmio por me ter servido”.
Nesta altura, tinha ficado claro para mim que qualquer dificuldade que pudesse ter tido em reconciliar a suposta bondade dos policiais com o seu comportamento naquele dia era infundada, e que qualquer pessoa que tomasse posição contra eles, só o podia fazer por gostar da vitória do mal sobre o bem. Afinal, qualquer pessoa que tenha experimentado a amizade deles do mesmo modo que experimentei sabe que são bons. A bondade deles até é manifestada na minha vida – eu estava num estado de confusão mental antes de os conhecer, mas agora todas as pessoas reparam na pessoa mudada que sou, muito mais bondoso e feliz, visivelmente possuído de uma calma interior.
E encontrei tantas pessoas que se sentem exatamente da mesma maneira sobre os polícias – tantas pessoas que, como eu, conhecem em seus corações a verdade que outros tentam racionalizar com seu frio raciocínio e sua lógica estéril. Estou envergonhado de alguma vez ter duvidado que os nove policiais merecem a minha lealdade e amor.
Quando me preparava para ir embora, o primeiro polícia falou outra vez. “A propósito, também
acho que deves saber que quando ficamos ali a ver a Sr.ª K. sendo violada e apunhalada vez após vez,nós estávamos a sofrer juntamente com ela, e sentimos exatamente a mesma dor que ela, ou talvez até mais”. E todos que estavam ali, incluindo eu, acenaram a cabeça concordando.

Fonte:Sociedade da terra redonda

*

Pois bem, a fonte é de um site ateu, que colocou esse texto pra questionar o que muitos cristãos falam sobre Deus.Mas esse texto nos faz pensar sim.Será que Deus age igual a esses policiais? Como ficam aqueles que defendem o "livre arbítrio"?
Muitas vezes falamos coisas sobre Deus, sem pensarmos se realmente isso é coerente.

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6 comentários :

  1. E aí, Fabiano?

    Pela segunda pergunta que você fez constar ao final do texto sobre os nove policiais parece que você adota a postura calvinista da soberania absoluta de Deus, é isso?
    Bom, sendo ou não, me parece que a forma de agir de Deus traduzida nessa postura está descrita na justificativa do 8.º policial.
    De qualquer forma, eu devo dizer que a cena descrita nesse texto, transferida para a situação de Deus em relação às desgraças particulares e coletivas que acontecem nesse mundo, tem se colocado como um grande obstáculo para a minha fé.
    Eu coloco, de forma semelhante ao texto, a situação de uma criança que é sequestrada, violentada e morta - coisa que infelizmente acontece com não pouca frequência aqui mesmo em nosso país - e me pergunto onde está Deus neste momento, em sua onipotência, onisciência e onipresença que não interfere de forma efetiva - como descreve a Bíblia, por exemplo, no episódio dos murmuradores israelitas no deserto, engolidos pelas areias do deserto, ou da destruição dos muros de Jericó ou do fogo lançado sobre a oferta de Elias em sua disputa com os profetas de Baal?
    Fabiano, sei que não nos conhecemos, mas quero esclarecer que as minhas colocações não vão eivadas de qualquer ranço de animosidade ou ironia, mas são a dúvida sincera de quem está realmente em conflito na fé.
    Não tomei conhecimento desse texto pelo seu blog, mas lá mesmo no site ateu a que você se referiu.
    Aguardo ansioso um comentário seu.

    Um forte abraço,
    Luciano.
    Luciano Martins Pomponet (lucianomp2@terra.com.br)

    P.S.: Desculpe a incongruência entre comentar como anônimo e colocar nome e e-mail ao final do comentário, mas não consegui fazer de outra forma, fruto de certa ignorância digital (rsrsrs).

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  2. Caro Luciano,

    Obrigado pelo comentário. Esse assunto realmente é complicado. A questão é que Deus pode sim fazer o que quiser, pois Ele nos criou.Isso se complica ao pensarmos em um Deus de amor.Se Deus é amor, porque isso acontece?

    Deixo dois vídeos que eu achei e que ajuda um pouco a compreendermos esse assunto:

    O pastor desse Vídeo é calvinista:

    http://www.youtube.com/watch?v=LvjktFI-iTc

    E veja também esse outro vídeo de outro pastor:

    "Se Deus é Bom, porque coisas ruins acontecem?"

    http://www.youtube.com/watch?v=57FHlhxZ9u8

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  3. Luciano Martins Pomponet29 de março de 2010 00:58

    Fabiano,

    Muito obrigado pela indicação dos vídeos.
    Se isso não fosse minimizar a soberania de Deus sobre a minha vida, eu diria que você salvou a minha vida, mas sabemos que o Senhor nos conduziu em tudo, desde eu encontrar seu blog até sua resposta.

    Que o Senhor te abençoe e sustente.
    Um forte abraço,
    Luciano.

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  4. Luciano, fico feliz por ter te ajudado. Deus com certeza atuou em tudo.

    Jesus te abençoe.

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  5. Luciano Martins Pomponet2 de abril de 2010 16:04

    E aí, Fabiano?
    Estou retornando com um outro questionamento.
    Ateus, agnósticos, espíritas e alguns segmentos do Cristianismo dizem ser impossível que alguém via em gozo inefável pela eternidade na presença do Senhor, enquanto sabe que alguns de seus entes queridos – talvez um pai, uma mãe, um irmão ou um filho – estão em agonia suprema, também pela eternidade, no inferno. A partir dessa aparente contradição, afirmam eles que a idéia de céu e inferno como nós entendemos que a Bíblia coloca não existe.
    Como refutar esse argumento?
    Obrigado mais uma vez por sua atenção.
    Um forte abraço,
    Luciano.

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  6. Luciano,

    Quem sabe quem vai pro céu ou pro inferno é Deus. Nós não podemos afirmar com 100 por cento de certeza, pois no ultimo momento a pessoa pode se arrepender, e somente Deus saberá disso.
    E não creio que no Céu vamos ficar procurando por todos os nossos parentes.
    Essa é a minha humilde opinião.

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Obrigado pela participação no Blog. Jesus te abençoe.
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